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Vocação: o convite do Senhor “Vem e segue-me” PDF Imprimir E-mail

vocare2         Estamos no mês de agosto, mês consagrado à vocação. Vocação é uma certeza interior que nasce da graça do Deus que nos toca a alma e que nos pede uma resposta livre. Caso Deus chama uma pessoa, a certeza irá crescendo na medida em que sua resposta for mais generosa.

Pensando nisso, segue uma reflexão para nos ajudar no nosso processo de discernimento vocacional. Especialmente quando colocamos nossos “bens” em primeiro lugar em relação ao chamado que Deus nos faz para fazermos uma experiência, discernimento vocacional...

 

 Às vezes, certa oportunidade na vida da pessoa é única e é preciso coragem e determinação para abraçá-la. “Se Deus nos pede esta ou aquela renúncia – família, emprego novo, amigos... –, nunca é para operar em nossa vida um tipo de amputação – ou seja, não é cortar a relação afetiva com a família, amigos... – É para nos abrir o caminho que Ele nos propõe deixar isto ou aquilo, a fim de favorecer a fecundidade e o dinamismo de nossa vocação”. Na maior parte das vezes, o Senhor espera que ousemos dar o primeiro passo, ainda que o chão nos pareça pouco firme. Ele se encarregará de tornar firme a terra que pisamos.

 

<<“Uma só coisa te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ele, porém, contristado com essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens (Mc 10,21).>>

 

         É[1] por iniciativa própria que esse jovem se aproxima de Jesus. Este particularmente não o convidou (diferentemente de Zaqueu). Esse jovem é fiel à lei do Senhor e o ama. Entretanto, está insatisfeito: algo lhe falta. Ele deseja profundamente a vida eterna e pressente que esse Jesus (a quem conhece apenas por ouvir falar) pode atender aos seus anseios. Ele já se encontra na vontade divina; porém, diante desse desejo autêntico de vida eterna, Cristo lhe oferecerá a possibilidade de passar para uma nova etapa.

         Em algumas traduções, a resposta que ele receberá terá a forma de um convite facultativo: “Se queres ser perfeito...”.

         Nenhum perfeccionismo nessa expressão em que Jesus quer convidá-lo a um amor mais total, mais entregue: Se queres amar plenamente, eis o que te proponho... Grande delicadeza do Senhor, que não obriga ninguém a nada e trata a cada um com infinito respeito. Esse respeito tem, aliás, um aspecto assustador, do qual o jovem rico fará uma dolorosa experiência. Jesus o deixou diante de uma escolha pessoal a fazer e o rico, ainda que fosse amado por Jesus (cf. 10,21), não pôde abrir mão de seus bens. – Nossos bens preciosos hoje como família, emprego novo, amigos... devem servir de estímulo para nossa resposta positiva ao chamado de Deus, e não servir de mecanismo para protelar minha resposta pessoal –.

         Talvez ele tenha desejado imensamente dizer sim ao convite de Jesus, mas a renúncia proposta se mostrou excessiva para ele. Sua resposta não foi totalmente não; aliás, o Evangelho não nos relata suas últimas palavras a Jesus, dizendo-nos simplesmente que ele foi embora triste, pois tinha muitos bens. – família, emprego novo, amigos, nova vida universitária... –.

      vocare   Sua resposta teria sido da ordem do “sim, mas...”, pois ele sem dúvida continuou a observar os mandamentos como antes. Na ordem de sua caminhada religiosa, ele não passou do “sim” para o “não”. Ele limitou seu “sim” por meio de um “mas”; – vou dar minha resposta mas antes tenho família, emprego novo, amigos, nova vida universitária... e mais pra frente vou pensar na resposta ao chamado– e é esse “mas” que o mergulha na tristeza, sabendo dentro de si mesmo que estava se distanciando voluntariamente, por falta de coragem talvez, daquilo que lhe teria trazido a alegria e a felicidade que viera buscar junto ao Senhor.

 

         Em nosso diálogo com Deus, quando sentimos que ele quer nos conduzir além (sem saber bem como) e nos fazer crescer no sim que já lhe demos, não argumentemos da seguinte maneira: “Senhor, olha o que já faço por ti, considera o que já abandonei por ti...”.

         Se nos refugiamos no pensamento de ter dado o bastante de nós mesmos, ao passo que interiormente a insatisfação paira, expomo-nos à tristeza. A alegria cristã está, ao contrário, em se deixar sempre levar para mais longe. Deus espera daqueles que desejam segui-lo totalmente que não substituam seu “sim” por um “mas”, porém se lancem em seus braços sem reservas.

 

Caro jovem, sinta-se encorajado a caminhar conosco aprofundando seu chamado; em particular à vida religiosa. “Deus, pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo, chama todos os homens a servi-lo e, ao mesmo tempo, a descobrir seu amor através desse chamado”. Saiba que nossa Comunidade Crúzia está rezando por você.

 

“Aonde mandar eu irei. Seu amor eu não posso ocultar. Quero anunciar para o mundo ouvir. Que Jesus é o nosso Salvador”.



[1] Reflexão baseada em: MADRE, Philippe. Vinde e Vede! : o chamado de Deus e o discernimento vocacional. [tradução Tiago José Risi Leme]. – São Paulo: Paulinas, 2012. – (Coleção pastoral vocacional). pp. 43-44.